Considerando o déficit de mulheres negras na universidade, especialmente na pós graduação, foi idealizada uma atividade de formação teórica e metodológica para auxiliar quem participará de seleções de Mestrado e Doutorado ainda este ano. A iniciativa ‘Vamos Opará Saberes!’ será realizada, gratuitamente, no Ministério Público da Bahia, em Salvador, e reunirá importantes intelectuais negras que contribuirão para instrumentalizar o ingresso na pós graduação, por meio de projetos de pesquisa voltados para as temáticas de racismo institucional, violências de gênero, saúde da mulher, prisionização e outros.
A Conferência de Abertura será “África e Feminismo Negro: a descolonização do conhecimento”, com a Profa. Florita Cuhanga de Kinjango, no dia 26 de setembro, 16h, e as aulas seguem até o dia 1º de outubro. As outras pesquisadoras participantes serão Zelinda Barros, Ana Flauzina, Denize Ribeiro, Claudia Pons, Ana Claudia Pacheco, Denise Carrascosa e Emanuelle Góes.
Florita Cuhanga nasceu em Angola e é doutoranda no Programa de Pós Graduação em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero, e Feminismo da Universidade Federal da Bahia, pesquisando o feminismo africano, a partir do pensamento pós e decolonial. A pesquisadora explica que seu trabalho visa realçar a produção e o modo dessa produção de conhecimento, visto como marginal no sentido negativo. “A partir das teóricas africanas feministas, assim como de teóricos latino americanos, eu busco contribuir para visibilidade de um modo de conhecimento que é tão histórico quanto outras formas de conhecimento, desfazendo o equívoco de que os saberes do Sul são incipientes e subalternos”. Ela completa que o objetivo é tensionar não só os conceitos e teorias do Norte, “mas principalmente apresentar como outras formas de conhecimento obedecem formas diferenciadas (não necessariamente superior ou inferior), desde o raciocínio à sua manifestação pública ou acadêmica”, explica a feminista africana.
Sobre o projeto ‘Vamos Opará Saberes!’, a assistente social e doutoranda em Estudos sobre Gênero e Mulheres pela Ufba, Carla Akotirene destaca que”Esta ação incide na valorização dos saberes engajados pelas populações alvejadas pelo sexismo e demais tecnologias de opressão, de forma a combater, ainda, o epistemicídio, instrumentalizar acerca das metodologias, epistemologias feministas e referenciais bibliográficos”.
A formação conta com apoio da Ordem dos Advogadas do Brasil – OAB, seção BA, e fornece certificação pelo Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher e da População LGBT (GEDEM).
Mais informações: oparasaberes@gmail.com ou na página do projeto no facebook: https://www.facebook.com/oparasaberes/

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