Antena Negra - Internacional

Grupo para discussão sobre relações internacionais e, em especial, dos países africanos. Com script especial de informações da CNN e Brasil de Fato.
  • Paulo Rogério

    Senegal e Bahia discutem parceria durante Congresso da ONU

    O ministro da Justiça de Senegal, El Hadj Amadou Sall, fez uma visita oficial à sede do Governo da Bahia, no 12º Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, que está sendo realizado no Centro de Convenções, em Salvador.

    Ele foi recebido pelo gabinete da Secretaria de Justiça Cidadania e Direitos Humanos e durante o encontro, o ministro senegalês falou sobre o interesse de iniciar cooperação técnica para implementar, em Senegal, ações voltadas à facilitar o acesso à água, produção de biocombustível e mecanização da agricultura.

    Ele também reforçou o convite para a Bahia participar do Festival Mundial de Artes Negras (Fesman), confirmado para o mês de dezembro.

    A Secretaria reafirmou a intenção da Bahia de enviar uma delegação ao Fesman e colocou o estado à disposição para parcerias técnicas, principalmente nas áreas de acesso à água. Segundo sua avaliação, o estado tem a maior parte do território em clima semiárido e pode ajudar Senegal com suas experiências desenvolvidas na região.

    Também ficou acertado que o Governo da Bahia vai buscar parcerias para criação de um vôo Salvador – Dakar. A intenção é ampliar os contatos empresariais e fomentar o turismo entre Senegal e Bahia.

    Como é uma das sedes da Copa de 2014, um vôo direto facilitaria a vinda dos africanos para os jogos. Ao fim do encontro, os senegaleses foram convidados a conhecer o Pelourinho, importante ponto turístico e um dos centros da cultura negra na Bahia.
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  • Paulo Rogério

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  • Paulo Rogério

  • Paulo Rogério

    ÁFRICA
    Ex-presidente sul-africano chega à Costa do Marfim para mediar crise

    Folha.

    Thabo Mbeki já havia mediado o fim da guerra civil no país

    O ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki chegou neste domingo à Costa do Marfim como representante da União Africana, para tentar mediar um fim à crise política no país após as eleições presidenciais da semana passada.

    O presidente Laurent Gbagbo e o candidato opositor Alassane Ouattara se declararam vencedores da eleição e tomaram posse no sábado em cerimônias separadas.

    A confusão foi criada após a Corte Constitucional do país ter alterado na quinta-feira o resultado anunciado pela Comissão Eleitoral Independente, que havia dado a vitória a Ouattara, com 54% dos votos.

    Ouattara tem o apoio da comunidade internacional, que pede a Gbagbo que aceite a derrota. ONU, Estados Unidos, França e o bloco de nações do oeste africano Ecowas estão entre os que manifestaram apoio aos resultados anunciados pela Comissão Eleitoral Independente.

    No entanto, em seu discurso na cerimônia, Gbagbo, que tem o apoio do Exército e controla os meios de comunicação do país, acusou a comunidade internacional de estar interferindo nos assuntos do país e alegou estar defendendo a soberania nacional.

    ‘Consequências incalculáveis’

    A União Africana advertiu que a crise pode ter “consequências incalculáveis” para o país, que tenta se recuperar da destruição provocada pela guerra civil entre 2002 e 2007.

    Gbagbo governa o país desde 2000. Apesar de seu mandato ter vencido em 2005, as eleições presidenciais foram adiadas sob o argumento de que não havia segurança para sua realização.

    Em um comunicado, a União Africana rejeitou “qualquer tentativa de criar um fato consumado ao ignorar o processo eleitoral e a vontade do povo”.

    O grupo pede que todos os envolvidos “mostrem a contenção necessária e evitem tomar ações que possam exacerbar a já frágil situação”.

    Mbeki, que quando era presidente da África do Sul ajudou a mediar um acordo de paz para encerrar a guerra civil na Costa do Marfim, desembarcou no aeroporto da capital, Abidjan, na manhã deste domingo.

    Mas sua presença gera desconfiança na oposição marfinense, que o vê demasiadamente próximo a Gbagbo.

    O correspondente da BBC em Abdijan John James diz que é difícil ver qualquer espaço para a mediação de Mbeki, já que ambos os candidatos se mostram inflexíveis em suas reivindicações de que venceram a eleição.

    O temor no país é de que se não houver um acordo entre os dois, os grupos rebeldes do norte do país que apoiam Ouattara reiniciem a guerra civil em protesto.

    Fraude

    Ao participar da cerimônia de posse no início da tarde deste sábado, Gbagbo voltou a repetir as acusações de fraude que levaram o Conselho Constitucional a rejeitar milhares de votos do norte do país e declará-lo vencedor do pleito.

    “Vocês pensam que podem trapacear, encher as urnas e intimidar os eleitores e que o outro lado não vai ver o que está acontecendo”, disse Gbagbo.

    Ele também disse ter notado “casos graves de interferência” nos últimos dias, em referência às manifestações de apoio internacional a Ouattara.

    “Nós não pedimos a ninguém para vir administrar nosso país. Nossa soberania é algo que eu vou defender”, afirmou.

    Poucas horas depois, Ouattara, um ex-primeiro-ministro proveniente da região predominantemente muçulmana ao norte do país, tomou posse em uma cerimônia num hotel de Abidjan protegido por soldados das forças de paz da ONU.

    Ele afirmou que a eleição foi “histórica” e que estava orgulhoso, mas que os últimos dias tinham sido “difíceis”.

    “Mas isso é só um episódio breve. Quero dizer a vocês que a Costa do Marfim está agora em boas mãos”, disse.

    Ouattara imediatamente renomeou o primeiro-ministro Guillaume Soro ao cargo. Soro havia pedido a renúncia de Gbagbo horas antes.

    O primeiro-ministro, que é chefe de um grupo rebelde do norte do país, advertiu que a alteração dos resultados eleitorais ameaça as tentativas de estabilizar e reunificar o país após a guerra civil de 2002.

    A crise política gerou protestos nas ruas de Abidjan e de outras cidades. Ao menos quatro pessoas morreram nos confrontos em Adidjan nesta semana.

    A Costa do Marfim também ordenou o fechamento de suas fronteiras e suspendeu a transmissão de notícias de meios internacionais ao país, além de estabelecer um toque de recolher noturno.
  • Paulo Rogério

    Um referendo em 9 de janeiro pode concretizar a separação do sul do Sudão, e reiniciar o conflito mais sangrento desde o fim da Segunda Guerra Mundial
    JOSÉ ANTONIO LIMA

    PELA SEPARAÇÃO Sudaneses do sul fazem manifestação em Jubá, a capital do sul, na sexta-feira (9), exatamente um mês antes do referendo. Mãos espalmadas são o símbolo da separação que estará impresso nas cédulas
    No início de outubro, o astro de Hollywood George Clooney passou uma semana no maior país da África, o Sudão, visitando a região do sul e conversando com líderes locais. Ao voltar para os Estados Unidos, o ator dialogou com políticos americanos, entre eles o presidente Barack Obama. Seu recado era claro. “Estávamos atrasados no Congo, estávamos atrasados em Ruanda, estávamos atrasados em Darfur. Essa é uma oportunidade para evitar o massacre antes que ele ocorra”, disse o galã. O temor de Clooney, e de boa parte da comunidade internacional, é que o resultado do referendo programado para 9 de janeiro, no qual o sul do Sudão pode conseguir a secessão do norte, provoque a retomada de uma guerra civil que tem o nada nobre posto de maior matança desde a Segunda Guerra Mundial.

    O medo da guerra é provocado por uma equação simples. O governo central, baseado em Cartum, a capital do Sudão, não quer a separação. Enquanto isso, há uma clara indicação de que os sudaneses do sul vão votar pela separação. A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, cuja função exige parcimônia nas palavras, declarou em setembro ser “inevitável” a separação, e chamou o Sudão de “bomba-relógio”. Por trás do movimento separatista está o medo dos habitantes do sul, majoritariamente negros, cristãos e animistas, de permanecerem como cidadãos de segunda classe diante do norte, de maioria árabe e muçulmana. A dominação política, econômica e social do norte gerou a primeira guerra civil do Sudão, entre 1955 – um ano antes da independência da Inglaterra – e 1972. Dez anos de armistício acabaram em 1983, quando Cartum decidiu rever o acordo de paz e implantar a sharia – a lei islâmica – em todo o território. A revolta separatista do sul foi contida com violência, e o número estimado de mortes passa de dois milhões. Os refugiados seriam quatro milhões. A frágil paz que vigora hoje é baseada no Acordo de Paz Abrangente (CPA, na sigla em inglês), assinado em 2005, que deu autonomia ao sul por cinco anos e programou o referendo para janeiro.

    Saiba mais
    »No Brasil, Graça Machel diz que “há mais esperança na África do que jamais houve”
    »Não foi na África?
    »Chimamanda Ngozi Adichie: “A África não é só miséria”
    »Como ser jovem e branco na África do Sul
    »Uma nova e próspera África está surgindo
    »Dambisa Moyo - “A ajuda não faz bem à África”
    O comportamento do governo de Cartum, chefiado por Omar al-Bashir, é o principal fator de preocupação. Bashir, que chegou ao poder em um golpe militar aplicado em 1989 com a ajuda de grupos islâmicos fundamentalistas, tem contra si um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional, órgão da ONU, por conta de crimes de guerra e contra a humanidade. As sete acusações dizem respeito ao conflito de Darfur, uma região do tamanho da França no oeste do Sudão, cujos líderes também pegaram em armas para lutar contra a opressão árabe. Outro motivo que torna Bashir alvo de desconfiança da comunidade internacional é sua aliança com o Irã. Nos últimos anos, o Sudão teria se tornado um distribuidor de terrorismo, abrindo espaço para treinamentos do Hamas e servindo de base para o tráfico de armas para extremistas na Somália, no Iêmen, no Líbano e nos territórios palestinos ocupados. Uma denúncia recente feita pela oposição diz que o Irã teria uma fábrica de armas na periferia de Cartum. Verdadeira ou não a acusação, é fato conhecido que, no início de 2009, a Força Aérea de Israel fez três ataques em território sudanês a veículos que levavam armas iranianas para o Hamas.

    “Pelo histórico do Sudão, é bastante difícil acreditar, primeiro, que o referendo vai ocorrer na data e, segundo, que o desfecho se dará sem violência”, diz Claudio Oliveira Ribeiro, especialista em África da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. “A população não tem o hábito do voto, da escolha, e a militarização e a guerra são as práticas normais no Sudão”, diz.

    A disputa pelo petróleo do Sudão
    O ceticismo de Ribeiro encontra base em fatos recentes ocorridos no país. O acordo de paz de 2005 prevê que a região de Abyei, na divisa entre o norte e o sul, realize um referendo especial para decidir com qual dos lados ficará. Nesta semana, as autoridades sudanesas confirmaram que a consulta à população de Abyei está adiada por tempo indeterminado. Uma comissão de referendo ainda não foi formada e não há acordo nem sobre qual parte da população deve votar. Em dois outros Estados da divisa – Nilo Azul e Cordofão do Sul – consultas populares sem valor de referendo estavam previstas no acordo de paz, mas elas não vão ocorrer. Como as populações de ambos são majoritariamente ligadas ao sul, elas temem ser alvos de ataques uma vez que o sul se separe. Ribeiro lembra ainda que o presidente Omar al-Bashir vem dando “sinais confusos” sobre qual será sua postura diante do resultado do referendo e que as tensões têm crescido na região. Em 14 de novembro e 8 de dezembro, Cartum bombardeou o território do sul. Na primeira oportunidade, o governo disse que errou o alvo ao perseguir rebeldes de Darfur. Depois, negou o ataque.
  • Paulo Rogério

    EUROPA
    Primeiro parlamentar negro toma posse na Polônia


    Godson foi eleito para o Parlamento polonês depois de morar por 17 anos no país

    O primeiro parlamentar negro da Polônia, John Abraham Godson, tomou posse do cargo oficialmente nesta terça-feira.

    Godson nasceu e foi criado na Nigéria e se mudou para a Polônia na década de 90. Ele se casou com uma polonesa e, com isso, conseguiu a cidadania polonesa.

    A cerimônia de posse foi transmitida ao vivo pelos canais de televisão do país.

    De acordo com o correspondente da BBC em Varsóvia Adam Easton, existem apenas 4 mil negros entre os 38 milhões de poloneses e Godson tem sido o alvo de muita atenção da imprensa do país.

    A Polônia é um país predominantemente branco e católico e as eleições de Godson e do primeiro conselheiro gay, em Varsóvia, são vistas como um marco na política e na sociedade do país, segundo Easton.

    Racismo

    Desde que se mudou para a Polônia, na década de 90, Godson trabalhou primeiramente como professor e, em seguida, como pastor em uma igreja protestante. O parlamentar se casou com uma polonesa e hoje eles têm quatro filhos.

    Godson afirma que já enfrentou racismo na Polônia.

    "A cor da pele foi um problema. Foi no começo. Eu fui espancado mas isto aconteceu apenas duas vezes. Mas, você sabe, às vezes você ouve alguém te chamando de alguns nomes, ou falando coisas ruins, mas isto está mudando, de uma forma positiva", afirmou.

    O parlamentar afirma também que notou que as atitudes em relação à raça mudaram muito desde que a Polônia se juntou à União Europeia, há seis aos.

    Milhões de poloneses foram trabalhar fora do país e tiveram contato com culturas diferentes.

    O correspondente da BBC em Varsóvia destaca que o racismo ainda é um problema na Polônia, mas o exemplo de Godson ilustra como a sociedade polonesa está mudando rapidamente.
  • Instituto Mídia Étnica

    NEPAD, reúne Comitê Diretor na Etiópia

    O Diretor Executivo do NEPAD e o ex-chanceler Celso Amorim.
    O Comitê Diretor do NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África), se reunirá nos próximos dias 22 e 23, em Addis Abeba, capital da Etiópia, para o lançamento do Plano de Ação para a África.
    O evento, 41º do Comitê, será efetuado paralelamente à 16ª Reunião dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana (UA) na presença dos representantes da Comissão Econômica das Nações Unidas para África.
    Os países do Continente Africano reunidos em 2001 decidiram criar um órgão específico para explicar quando necessário ao Mundo, quaisquer dúvidas sobre as políticas desenvolvidas nos respectivos países em todos os segmentos de atividades , o NEPAD que significa A Nova Parceria Para o Desenvolvimento da África, para que aos olhos da população do Globo Terrestre não se cultue qualquer preconceito e uma visão distorcida das tradições, desenvolvimento social e econômico, cultura, direitos civis, turismo, direitos humanos e quaisquer outros pontos que se façam necessários os esclarecimentos, com a preocupação constante de promover o desenvolvimento nas Nações africanas.
    Uma delegação do NEPAD, chefiada pelo Diretor Executivo da instituição Ibrahim Mayak, esteve recentemente em visita ao

    Brasil, quando foi recebida pelo ex-chanceler Celso Amorim, em Brasília. Fonte: ANTONIO LUCIO//BUREAU POLCOMUNE

    http://africas.com.br/site/index.php/archives/7158
  • Instituto Mídia Étnica

    Presidente da Tunísia abandona o país depois de 23 anos no poder

    Ex-presidente Zine al-Abidine Ben Ali
    O presidente da Tunísia, Zine al-Abidine Ben Ali, deixou o cargo depois de 23 anos no poder. O primeiro-ministro, Mohammed Ghannouchi, está assumindo as funções interinamente, segundo informou a BBC. Ben Ali, de 74 anos, era a apenas o segundo presidente desde a independência do país, um protetorado da França até 1956, e governava com poderes ditatoriais. Segundo agências internacionais, ele teria deixado a Tunísia, com destino ignorado, antes do aeroporto da capital Tunis ser isolado pelas forças armadas.

    De acordo com a Voz da América, foi declarado estado de emergência na Tunísia. Reuniões estão proibidas e a polícia está autorizada a atirar nos transgressores. Novos protestos nas ruas de Tunis mobilizaram milhares de manifestantes nesta sexta-feira (14) para pedir o afastamento do presidente que, na véspera, havia anunciado que não concorreria à reeleição em 2014. Mais uma vez, houve choques com a polícia, que agiu soltando bombas de gás lacrimogêneo. Ontem (13), Ben Ali foi à televisão dizer que “entende” os pedidos por mais liberdade de expressão e anunciou o desbloqueio de sitesda internet e o fim do escrutínio sobre a mídia. Oficialmente, 23 pessoas morreram desde dezembro, quando começou a onda de protestos contra o aumento no custo de vida e a falta de empregos na Tunísia. Organizações civis, porém, falam em, pelo menos, 60 mortos. (Agência Brasil)
  • Instituto Mídia Étnica

    nternacional| 31/01/2011 | Copyleft
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    Jornalista e blogueiro egípcio fala sobre rebelião

    Hossam el-Hamalawy é um jornalista e blogueiro do site 3arabawy. Mark LeVine, professor da Universidade da Califórnia, conseguiu contactar Hossam por meio do Skype e conseguiu um informe em primeiro mão sobre os eventos que estão ocorrendo no Egito. Hossam destaca o papel que a juventude e o movimento sindical estão desempenhando nos protestos contra a ditadura egípcia e prevê momentos difíceis nas relações com os EUA. "Qualquer governo realmente limpo que chegue ao poder na região, entrará em um conflito aberto com os EUA, porque proporá uma redistribuição racional da riqueza e terminará com o apoio a Israel e a outras ditaduras".

    Mark LeVine – Al- Jazeera

    Hossam el-Hamalawy é um jornalista e blogueiro do site 3arabawy. Mark LeVine, professor da Universidade da Califórnia, conseguiu contactar Hossam por meio do Skype e conseguiu um informe em primeiro mão sobre os eventos que estão ocorrendo no Egito.

    Por que foi necessária uma revolução na Tunísia para tirar os egípcios das ruas em uma quantidade sem precedentes?

    No Egito dizemos que a Tunísia foi mais um catalisador que um instigador, porque as condições objetivas para um levantamento existiam no país e durante os últimos anos a revolta estava no ar. Já tivemos duas mini-intifadas, ou “mini-Tunísia” em 2008. A primeira foi um levantamento em abril de 2008 em Mahalla, seguido por outro em Borollos, no norte do país.

    As revoluções não surgem do nada. Não temos mecanicamente uma amanhã no Egito porque ontem ocorreu uma na Tunísia. Não é possível isolar esses protestos dos quatro últimos anos de greves de trabalhadores no Egito ou de eventos internacionais como a intifada al-Aqsa e a invasão do Iraque pelos EUA. A eclosão da intifada al-Aqsa foi especialmente importante porque nos anos 80 e 90 o ativismo nas ruas havia sido efetivamente impedido pelo governo como parte da luta contra insurgentes islâmicos. Só seguiu existindo nos campus universitários ou nas centrais dos partidos. Mas quando estourou a intifada em 2000 e a Al Jazeera começou a transmitir suas imagens, isso inspirou a nossa juventude a tomar as ruas, da mesma maneira que hoje a Tunísia nos inspira.

    Como se desenvolvem os protestos?

    É muito cedo para dizer como se desenvolveram. É um milagre que continuaram ontem depois da meia noite, apesar do medo e da repressão. A situação chegou a um ponto em que todos estão fartos, seriamente fartos. E mesmo que as forças de segurança consigam aplastar os protestos hoje não poderão aplastar os que ocorrerão na próxima semana, no próximo mês ou, mais adiante, durante este ano. Definitivamente há uma mudança no grau de coragem do povo. O Estado usou a desculpa do combate ao terrorismo nos anos 90 para acabar com todo tipo de dissenso no país, um truque utilizado por todos os governos, incluindo os EUA. Mas uma vez que a oposição formal a um regime passa das armas a protestos massivos, é muito difícil enfrentar esse tipo de dissenso. Pode-se planejar a liquidação de um grupo de terroristas que combate nos canaviais. Mas o que vão fazer diante de milhares de manifestantes nas ruas? Não podem matar a todos. Nem sequer podem garantir que os soldados o façam, que disparem contra os pobres.

    Qual a relação entre eventos regionais e locais neste país?

    É preciso entender que o regional é local no Egito. No ano de 2000, os protestos não começaram como protestos contra o regime, mas sim contra Israel e em apoio aos palestinos. O mesmo ocorreu com a invasão dos EUA no Iraque três anos depois. Mas uma vez que se sai para as ruas e se enfrenta a violência do regime, a pessoa começa a se fazer perguntas: por que Mubarak envia soldados para enfrentar os manifestantes ao invés de enfrentar Israel? Por que exporta cimento para Israel, que o utiliza na construção de assentamentos, ao invés de ajudar os palestinos. Por que a política é tão brutal conosco quando só tratamos de expressar nossa solidariedade com os palestinos de maneira pacífica? E assim os problemas regionais como Israel e Iraque passaram a ser temas locais. E, em poucos instantes, os manifestantes que cantavam slogans em favor dos palestinos começaram ma fazê-lo contra Mubarak. O momento decisivo em termos de protestos foi em 2004, quando o dissenso se tornou interior.

    Na Tunísia, os sindicatos desempenharam um papel crucial na revolução, já que sua ampla e disciplinada organização assegurou que os protestos não fossem sufocados facilmente. Qual o papel do movimento dos trabalhadores do Egito no atual levantamento?

    O movimento sindical egípcio foi bastante atacado nos anos oitenta e noventa pela polícia, que utilizou munição de guerra contra grevistas pacíficos em 1989 durante greves nas plantas siderúrgicas e, em 1994, nas greves das fábricas têxteis. Mas, desde dezembro de 2006, nosso país vive continuamente as maiores e mais sustentadas ondas de ações grevistas desde 1946, detonadas por greves na indústria têxtil na cidade de Mahalla, no delta do Nilo, centro da maior força laboral do Oriente Médio, com mais de 28 mil trabalhadores. Começou por temas trabalhistas, mas se estendeu a todos os setores da sociedade com exceção da polícia e das forças armadas.

    Como resultado dessas greves, conseguimos obter dois sindicatos independentes, os primeiros de sua classe desde 1957, o dos cobradores de contribuições de bens imóveis, que inclui mais de 40 mil funcionários públicos e o dos técnicos de saúde, mais de 30 mil dos quais lançaram mês passado um sindicato independente daqueles controladas pelo Estado.

    Mas é verdade que há uma diferença importante entre nós e a Tunísia. Ainda que fosse uma ditadura, a Tunísia tinha uma federação sindical semi-independente. Mesmo que sua direção colaborasse com o regime, os seus membros eram sindicalistas militantes. De modo que, quando chegou a hora das greves gerais, os sindicatos puderam se somar. Mas aqui no Egito tempos um vazio que pretendemos preencher rapidamente. Os sindicalistas independentes foram alvo de uma caça ás bruxas desde que trataram de se estabelecer; já há processos iniciados contra eles pelos sindicatos estatais e respaldados pelo Estado, mas eles seguem se fortalecendo apesar das continuadas tentativas de silenciá-los.

    É certo que, nos últimos dias, a repressão foi dirigida contra os manifestantes nas ruas, que não são necessariamente sindicalistas. Esses protestos reuniram um amplo espectro de egípcios, incluindo filhos e filhas da elite. De modo que temos uma combinação de pobres e jovens das cidades junto com a classe média e os filhos filhas da elite. Penso que Mubarak conseguiu agrupar todos os setores da sociedade com exceção de seu círculo íntimo de cúmplices.

    A revolução tunisiana foi descrita como fortemente liderada pela juventude e dependente para seu êxito da tecnologia das redes sociais como Facebook e Twitter. E agora as pessoas se concentram em torno da juventude no Egito como um catalisador importante. Trata-se de uma “intifada juvenil” e ele poderia ocorrer sem o Facebook e outras novas tecnologias midiáticas?

    Sim, é uma intifada juvenil na rua. A internet desempenha um papel na difusão da palavra e das imagens do que ocorre no terreno. Não utilizamos a internet para nos organizar. A utilizamos para divulgar o que estamos fazendo nas ruas com a esperança de que outros participem da ação.

    Como deve ter ouvido, nos EUA, o apresentador de programas de entrevistas Glenn Beck atacou uma acadêmica, Frances Fox Piven, por um artigo que ela escreveu chamando os desempregados a realizar protestos massivos por postos de trabalho. Ela recebeu inclusive ameaças de morte, algumas de pessoas sem trabalho que parecem mais felizes fantasiando sobre usar uma de suas numerosas armas do que lutando realmente por seus direitos. É surpreendente pensar no papel crucial dos sindicatos no mundo árabe atual, tendo em conta as mais de duas décadas de regimes neoliberais em toda a região, cujo objetivo primordial é destruir a solidariedade da classe trabalhadora. Por que os sindicatos seguiram sendo tão importantes?

    Os sindicatos sempre são o remédio mágico contra qualquer ditadura. Olhe a Polônia, a Coréia do Sul, a América Latina ou a Tunísia. Os sindicatos sempre foram úteis para a mobilização das massas. Faz falta uma greve geral para derrotar uma ditadura, e hoje não há nada melhor que um sindicato independente para fazê-lo.

    Há um programa ideológico mais amplo por trás dos protestos, ou o objetivo é mesmo livrar-se de Mubarak?

    Cada um tem suas razões para sair às ruas, mas eu suponho que se nosso levante tiver êxito e derrubarmos Mubarak aparecerão divisões. Os pobres querem impulsionar a revolução para uma posição muito mais radical, impulsionar a redistribuição radical da riqueza e combater a corrupção, enquanto que os chamados reformistas querem colocar freios, pressionar mais ou menos por mudanças “desde cima” e limitar um pouco os poderes, mas mantendo alguma essência do Estado atual.

    Qual é o papel da Irmandade Muçulmana e como influencia o cenário atual o fato de ter permanecido até aqui distante dos atuais protestos?

    A Irmandade sofreu divisões desde a eclosão da intifada al-Aqsa. Sua participação no Movimento de Solidariedade à Palestina quando se enfrentou com o regime foi desastrosa. Basicamente, cada vez que seus dirigentes chegam a um compromisso com o regime, especialmente os acólitos do atual guia supremo, desmoralizam seus quadros da base. Conheço pessoalmente vários jovens que abandonaram o grupo. Alguns deles se uniram a outros grupos, outros seguem independentes. A medida que cresce o atual movimento de rua e os militantes da base participam, haverá mais divisões porque a direção superior não pode justificar por que não toma parte desse novo levante.

    [N.T. Nesta segunda-feira (31), a Irmandade Muçulmana divulgou um comunicado rejeitando o novo governo e pedindo que prossigam as manifestações para a queda do regime do presidente Hosni Mubarak]

    Qual o papel dos EUA neste conflito? Como as pessoas na rua avaliam suas posições?

    Mubarak é o segundo maior beneficiário da ajuda externa dos EUA, depois de Israel. Ele é conhecido como o capanga dos EUA na região; é um dos instrumentos da política externa dos EUA, que implementa seu programa de segurança para Israel e assegura o fluxo sem problemas do petróleo enquanto mantem os palestinos confinados. De modo que não é nenhum segredo que esta ditadura goza do respaldo de governos dos EUA desde o primeiro dia, inclusive durante a enganosa retórica em favor da democracia protagonizada por Bush. Por isso, não há surpresa diante das risíveis declarações de Clinton, que mais ou menos defendiam o regime de Mubarak, já que um dos pilares da política externa dos EUA é manter regimes estáveis a custa da liberdade e dos direitos civis.

    Não esperamos nada de Obama, a quem com sideramos um grande hipócrita. Mas esperamos que o povo estadunidense – sindicatos, associações de professores, uniões estudantis, grupos de ativistas – se pronunciem em nosso apoio. O que queremos é que o governo dos EUA se mantenha completamente fora do assunto. Não queremos nenhum tipo de apoio, simplesmente que corte imediatamente a ajuda a Mubarak e retire o apoio a ele, e também que se retire de todas as bases do Oriente Médio e deixe de apoiar o Estado de Israel.

    Em última instância fará tudo o que for preciso para se proteger. De repente, pode adotar a retórica mais anti-americana que se possa imaginar se isso puder ajudar a salvar sua pele. No final das contas, está comprometido com seus próprios interesses e se avaliar que perderá o apoio dos EUA, se voltará em outra direção. A realidade é que, qualquer governo realmente limpo que chegue ao poder na região, entrará em um conflito aberto com os EUA, porque proporá uma redistribuição racional da riqueza e terminará com o apoio a Israel e a outras ditaduras. De modo que não esperamos nenhuma ajuda dos EUA. Só que nos deixem em paz.

    (*) Mark LeVine é professor de história na universidade da Califórnia Irvine e pesquisador visitante sênior no Centro de Estudos do Oriente Médio na Universidade Lund, na Suécia. Seus livros mais recentes são
    Heavy Metal Islam (Random House) e Impossible Peace: Israel/Palestine Since 1989 (Zed Books).

    Fonte: http://english.aljazeera.net/indepth/features/2011/01/2011127927282...

    Traduzido do inglês para o Rebelión por Germán Leyens

    (*) Traduzido do espanhol para a Carta Maior por Marco Aurélio Weissheimer
  • Instituto Mídia Étnica

    CHINA SUPERA JAPÃO: 2ª ECONOMIA MUNDIAL
    15:35:57



    O PIB da China foi o segundo maior do mundo em 2010, superando o Japão no conjunto do ano, segundo anunciou nesta segunda-feira (14) o governo japonês. O fato confirma uma previsão de vários meses atrás. Saiba mais na Coluna Infoinveste!
  • Instituto Mídia Étnica

    A primeira revolução do século
    A situação na Tunísia, no Egipto e na Argélia é o destaque da edição de Fevereiro da revista África21.

    Da Redação, com Revista África21


    A Tunísia depois de Ben Ali
    Brasília - Passo a passo, sem precipitações mas igualmente sem paragens, o movimento popular que provocou a fuga de Zinedine Ben Ali, no poder há 23 anos, prossegue o desmantelamento do aparelho do regime e encaminha a Tunísia para a instauração de um Estado de direito, democrático e moderno.

    Árabes e africanos seguem com particular atenção esta primeira revolução do século XXI que constitui uma fonte de inspiração para os democratas e um aviso à navegação para os governantes.

    Cada experiência é única, a democracia não é contagiosa, e não basta um fósforo para fazer cair os regimes repressivos como dominó.

    Mas como observava a televisão Al Jazeera em Dezembro, a revolta que começou na Tunísia é a consequência «de uma mistura letal de pobreza, desemprego e repressão política, três traços comuns à maioria das sociedades árabes».

    Por isso, manifestações de solidariedade com o povo tunisino eclodiram espontaneamente, da Mauritânia ao Iémen, passando por Marrocos, Argélia, Egipto e Jordânia. Em quase todos houve tentativas de imolação pelo fogo, na vã esperança de suscitar os mesmos efeitos que na Tunísia; os governos do Cairo, Amã e Argel apressaram-se a tomar medidas para fazer baixar os preços dos bens alimentares e dos combustíveis; os líderes da oposição islamista foram presos no Sudão e na Argélia.

    Todos os dirigentes árabes percebem que uma transição democrática bem sucedida na Tunísia será o fim dos tabus e preconceitos que lhes serviam de álibi aos olhos do Ocidente; Israel também lastimou a queda de Ben Ali e a atitude dos Estados Unidos a seu respeito. Abriu-se uma janela e, e seja qual for o próximo futuro da Tunísia, o Magrebe e o mundo não voltarão a ser o que eram antes.

    A situação na Tunísia, no Egipto e na Argélia é o destaque da edição de Fevereiro da revista África21, onde pode ler na íntegra os artigos assinados pelas jornalistas Nicole Guardiola e Augusta Conchiglia.

    http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=11502946&canal=401
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    O jornalista David Remnick afirmou que Barack Obama se interessou por Jeremiah Wright porque ele era uma espécie de intelectual. Para ele, o presidente está ficando cada vez mais forte.

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    A série Entenda o Mundo da Coleção de Bolso da Editora FGV acaba de lançar novo livro: Campanha Permanente: o Brasil e a reforma do Conselho de Segurança da ONU, de João Augusto Costa Vargas.


    A reforma do Conselho de Segurança da ONU voltou à agenda global. Em parte, trata-se do déficit de legitimidade pós-Iraque. Também resulta de importantes transformações no equilíbrio de poder mundial que beneficiam países emergentes sem presença permanente no Conselho. Nesta obra, João Vargas delineia os principais argumentos e linhas interpretativas por trás das ambições do Brasil.


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    CONVITE PARA PALESTRA


    O Centro de Relações Internacionais CPDOC/FGV convida para a palestra O que há de novo na ordem global: a última década em perspectiva, com Walter Russell Mead e Josef Joffe.

    Josef Joffe é pesquisador na Universidade de Stanford, Senior Fellow do Stanford's Freeman Spogli Institute for International Studies e Marc and Anita Abramowitz Fellow em Relações Internacionais na Hoover Institution. Desde 2009, é associado ao Olin Institute for Strategic Studies da Universidade de Harvard. Joffe é também editor do jornal semanal alemão Die Zeit.

    Walter Russell Mead é o Henry A. Kissinger Senior Fellow no Council on Foreign Relations (CFR) e um dos maiores especialistas em política externa americana. É autor de Special Providence: American Foreign Policy and How It Changed the World (2004) e God and Gold: Britain, America and the Making of the Modern World (2007).

    A palestra marca o início das aulas da turma de 2011 do MBA em Relações Internacionais da FGV. O evento contará com tradução simultânea, é aberto a todos e não há necessidade de inscrição.

    O que há de novo na ordem global: a última década em perspectiva
    com Josef Joffe (Universidade de Stanford) e Walter Russell Mead (CFR)


    Apoio: Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro
    7 de abril, 18h30
    Local: Fundação Getulio Vargas - auditório do 12º andar
    Praia de Botafogo 190, Rio de Janeiro

    A FGV não permite o acesso de pessoas com shorts ou bermudas
    nem com sandálias tipo havaiana.
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    Brazil's foreign-aid programme - Speak softly and carry a blank cheque
    In search of soft power, Brazil is turning itself into one of the world's biggest aid donors. But is it going too far, too fast?

    http://www.economist.com/node/16592455?story_id=16592455&CFID=1...