Projeto gera oportunidades para jovens da periferia de Salvador

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Projeto gera oportunidades para jovens da periferia de Salvador

O Instituto Jovem Periférico atende diversas comunidades das periferias soteropolitanas, criando oportunidades a partir de atividades educativas e de formação.

Embora 54% da população brasileira seja negra – formada por pretos e pardos, segundo classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o racismo estrutural se apresenta das mais diversas formas em dinâmicas identitárias, de relações sociais e institucionais. Diante deste cenário de exclusão, em um país que não dá oportunidades para combater a desigualdade social, que o estudante de Publicidade e Propaganda, Jadison Palma, 27 anos, fundou o projeto Jovens Periféricos nas favelas de Salvador, Bahia.

Tudo começou no bairro de Fazenda Coutos III, em 2016, na época Jadison Palma tinha sua própria marca de roupas com as iniciais do seu nome, JP. Com o objetivo de divulgar seu negócio, ele organizou seu primeiro desfile de moda, e convidou amigos e parentes para serem seus modelos, o feito aconteceu no final de linha do bairro. “Eu precisava mostrar meu trabalho à minha comunidade, e ali percebi que poderia fazer algo ainda maior”, comenta.

Através desse evento, o empreendedor recebeu diversos convites para fazer o desfile de suas roupas em outros locais. Foi assim de Jadison , uniu o empreendedorismo com o social, transformando o JP no projeto social Jovens Periféricos. Hoje atende cerca de 400 alunos de diversas comunidades das periferias soteropolitanas, gerando oportunidades a partir de atividades educativas e de formação, com aulas de teatro, moda, música e dança para crianças e jovens.

Sem qualquer apoio financeiro dos governantes, o Instituto mantém o funcionamento com a colaboração de empresas privadas, que colaboram através de palestras e workshops de diversos segmentos. De acordo com o presidente do Instituto Jovens Periféricos, 80% dos jovens que passam pelo projeto tem a vida transformada, seja através de desenvolvimento pessoal ou profissional.

Virada de chave

Foi numa chamada no Instagram do Instituto Jovens Periféricos para o concurso “Garota e Garoto Periférico” em 2018, que Thalia Neres, 19 anos, conheceu o projeto, fez a inscrição e ganhou na categoria juvenil. Após a competição, a jovem permaneceu no Instituto com o objetivo de aproveitar todas as oficinas oferecidas, ficada na sua vida profissional, “todos me acolheram e com isso eu pude ir me desenvolvendo cada vez mais”, declara.

Através das oportunidades que o Instituto proporcionava, Thalia participou de diversos concursos pela cidade, fez vários trabalhos de moda e foi em um desfile no Afro Fashion Day, que a modelo conheceu um Scouter – profissional encarregado de encontrar novos modelos e encaminhá-los para agência na qual trabalha. Atualmente a jovem trabalha em uma agência no estado de São Paulo. “O Instituto me ajudou bastante, não só no campo da moda, me enriqueceu como pessoa”, diz.

Lucas Cabral, 21 anos, também teve a vida impactada pelo JP. Tudo começou em 2018 quando ele foi assistir o desfile de um amigo, no ano seguinte o jovem ingressou no projeto e teve um despertar no mundo da moda, algo que ele nunca havia cogitado. “Eu sou tímido e descobri todo o amor pela passarela através do projeto, considero o Instituto muito importante em minha vida, pois ele acolhe a todos sem ditar padrões”, declara.

Esse ano, Lucas realizou um dos maiores sonhos que foi desfilar no Afro Fashion Day 2021, o evento que ocorre todos os anos em Salvador, é conhecido como “a passarela mais negra do Brasil”, por reunir apenas modelos pretos em um desfile de moda.

Para mais informações sobre o Instituto Jovens Periféricos, acompanhem através do Instagram (@jovensperifericos). Os interessados precisam acompanhar a rede social para saber o período de inscrições e novidades sobre os projetos. Além disso, o Instituto possui também uma TV digital no qual as transmissões acontecem pelo Youtube.

Alice Souza
Com supervisão de Valéria Lima

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