O Reveillon de 2011 teve um gosto amargo para os filhos e filhas da casa de axé Ilê Axé Iji Omin Toloyá, localizada em Areias, Camaçari, município componente da Região Metropolitana de Salvador (RMS). Armado com um porrete, um evangélico invadiu o lugar e destruiu artefatos religiosos de valor inestimável. Acuado dentro de casa, onde se refugiou, o babalorixá José Livramento Júnior chamou a polícia, que deteve o agressor. Porém, enquanto a viatura estava a caminho, o estrago foi grande. Após ter destruído a casa dos santos, lugares dedicados a preces e rituais, Gilton avançou furioso sobre um veículo Gol, de propriedade do babalorixá. Em seguida, destruiu completamente uma máquina de lavar, que ficava numa lavanderia fora da casa.
Após lançar sua fúria sobre bens simbólicos e materiais, o rapaz tentou invadir a casa de Livramento, tentando arrombar a porta. De acordo com relatos do pai de santo, ele gritava que teria vindo salvar as pessoas do ‘inimigo’. “Não tenha dúvida da dor, que todos estamos sentindo, mas sabemos também da capacidade histórica que nosso Povo sempre teve e tem para enfrentar todas as formas de violência orquestradas contra nossa fé e patrimônio que herdamos dos nossos ancestrais”, pondera o sacerdote. “Estou aqui de pé diante da dor e luta, de joelhos no chão diante de meu Pai Omolu e acolhido pelos meus”, lamenta.

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Luiz Souza, jornalista
DRT-Ba: 2537

 

 

 

 

 

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Comentário de adinelson de souza filho em 28 fevereiro 2011 às 15:21
Carissimos irmãos,

passado um mês da terrível agressão que sofreu mais um templo da nossa religião, qual foi o resultado desta demanda junto à policia? Particularmente, gostaria de ter novas noticias sobre o caso e acho que interessa a toda nossa comunidade. Este não deve ser um interesse apenas dos filhos desta casa mas de todos os membros do axé. Se tem se tornado constante os ataques aos templos de candomblé, devemos tornar constante a nossa vigilancia na imprensa e na justiça, sobre este tipo de situação.


Um agrande abraço a todos
que Oxalá nos abençoe q que a justiça de Ogun e Xangô esteja estendida sobre nós.

Adinelson Filho
Omorixa n'Ilê Axé Opô Oxogun Ladê, omo n'Ilê Opô Afonjá
Comentário de vinicius viana costa em 27 janeiro 2011 às 10:57
Olá. Antes, parabenizo, fico feliz e mais convicto da luta ao participar desta rede de resistência e construção da igualdade. Este crime não é fato isolado, sabemos que existe uma lógica para além da legislação que no jogo das representações e hierarquias nos coloca em situação de alvo das discriminações e desigualdades. Vamos, sim, tomar todas as medidas jurídicas, punitivas e exemplares cabíveis. Mas, se não ocuparmos todos os espaços de poder (político, econômico, midiático...) para pautarmos uma política sócio-educacional-cultural-econômica para a maioria (que somos nós), vamos a todo momento apagar incêndios.
Vinicius Viana - Antropólogo mal saído dos virgens cueiros, militante do Movimento Negro de Camaçari. A igualdade é pela via negra!
Comentário de MARCÍLIO JOSÉ ROSA E SILVA em 25 janeiro 2011 às 18:00

Lamentamos profundamente mais um ato de intolerância religiosa praticada por fanáticos evangélicos que não conseguiram entender a mensagem de Jesus, que pediu para 'amar ao próximo como a nós mesmos', independente da sua opção religiosa. Espero que os orixás, inquices e voduns possam iluminar os seus caminhos e proteger este sacerdote violentamente agredido! Axé para todos nós e bençãos aos mais velhos! 

Comentário de Mirian Tesserolli em 24 janeiro 2011 às 19:00

dêem uma olhada nesse texto:

 

O amor incondicional contra a intolerância

http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1791

Comentário de Flavia Aurelina Castellar em 24 janeiro 2011 às 15:01

Não podemos tolerar de forma nenhuma esse absurdo. Essa é a inquisição evangélica. Moramos num país onde a liberdade de culto sempre foi respeitada, e se faz necessário ações enérgicas de combate a esse tipo de violencia que vai além do culto, ao desrespeitar a propriedade particular e a vida pessoal de um sacerdote. Lembram quando aquele pastor chutou a Nossa Sra Aparecida na TV para todo mundo ver? Infelizmente os evangélicos acham que só existe o Deus deles, mas que Deus é esse que permite ações como essa do dia 31/01/2010?

Somos nós que acreditamos que todos os deuses são UM, que precisamos dar o exemplo do perdão e da compaixão.

Pai, perdoai por que eles não sabem o que fazem. 

Comentário de Mirian Tesserolli em 21 janeiro 2011 às 16:41
é interessante perceber, Andre, que esses evangélicos que agridem as afro-religiões são os mesmos que tomam emprestados alguns rituais que não têm conhecimento de como fazer. acredito, sim, que existem evangélicos que são sérios, mas é preciso pôr a público o que esses outros estão fazendo e denunciá-los, acompanhando e exigindo que a denúncia seja levado a cabo, fazendo com que essas pessoas sejam presas e cumpram a sentença sem direito a relaxamento por serem (ou não) primários. quando nós, cidadãos, exigirmos que a lei seja aplicada e acompanharmos o processo, do julgamento ao cumprimento da sentença, teremos mais respeito.
Comentário de andre costa brisolara cardozo em 21 janeiro 2011 às 16:27
Em nosso país esta havendo uma grande confusão onde os seguidores de novas igrejas vem através de seus pastores pregar a violencia conta nosso cultoreligioso e ai só podemos contar com nossos orixas. Mas isto ja esta se tornando uma doença e um fanatismo onde podera levar a consequencias catastróficas, creio em "OLORUM" e em tdo nosso panteão, lembro-me que sempre tiveram convivencia evangéloicos, protestantes e testemunhas de jeová, ninguem agredia ninguem. Agora com o surgimento deste amontoado de igrejas evangélicas que emergiram se começou a ter este tipo de conflito, principalmente com o pessoal da igreja universal do reino de Deus. Afinal a quem eles oram?
Comentário de Luiz Souza em 21 janeiro 2011 às 12:08

Prezados, o comunicado em relação ao episódio de Areias foi enviado à mídia local, porém, apesar dos insistentes apelos, não houve resposta. Porém, hoje pela manhã, durante a caminhada contra a intolerância religiosa, realizada em Itapuã, o sacerdote que teve a casa invadida deu entrevistas ao Jornal A Tarde e á TVE.

 

Esperamos que o fato seja divulgado. O comunicado ainda foi enviado à Ministério da Igualdade e à Sepromi.

Comentário de Paulo Roberto de Almeida Barbosa em 21 janeiro 2011 às 11:03

Esta siuação não ocupa o noticiário,naão lembro de ter lido uma só referência à êste fato, se tivesse um homem negro adepto de religião de matriz africana, estaria prêso e condenado midiáticamente como bruxo, pai de santo, feiticeiro,e adepto de rituais diabólicos,esquecem que o diabo é cristão.

Onde está a ministra da iguladade racial e como se posicionou o governador reeleito.

Abraço a todos 

Comentário de paulo alves em 21 janeiro 2011 às 10:36

Não da para suportar tanta intolerancia religiosa, espero que isto se resolva e urgente, pois ainda esta viva em nossa lembraça o caso da cidade de Ilhéus quando policiais militares agrediram uma saserdotisa, num acentamento de sem terra, e  que nosso amigo Gilberto possa pensar melhor a respeito dos acontecimentos.

 Abraços afro a todos(as). 

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