Clique aqui e leia o comentário sobre a Banda EVA e sua apropriação da cultura negra

Fico muito espantado como esse projeto do Grupo Eva tem passado despercebido pela militância negra. Tenho acompanhado a discussão sobre o novo show da NegaLora Cláudia Leitte nas redes sociais, mas o fato do Bloco Eva, famoso por ser "O Bloco de Gente Bonita", aquele que durante mais de duas décadas excluiu os negros dessa cidade, encampar silenciosamente um projeto tão violento. . O Bloco Eva - que durante anos se intitulou bloco de "Gente Bonita" e excluía os pretos dessa cidade de suas cordas através de um mecanismo de aprovação de propostas (Lembram das famosas propostas que eram preenchidas para sair num grande bloco de carnaval da década de 80, aquelas em que era preciso anexar foto?) - tornou Saulo Fernandes NEGRO. Basta assistir ao DVD da banda "Veja alto e ouça colorido" em que a animação de um negão black se transforma em Saulo. Não existe coisa mais insossa do que o cantor do eva cantando samba-reggae na Senzala do Barro Preto. Será que o Eva agora quer reparar a o racismo violento que proliferou na cidade durante as décadas de 80 e 90 ou está de olho num classe média negra e com alto poder aquisitivo?

Exibições: 207

Comentar

Você precisa ser um membro de Correio Nagô para adicionar comentários!

Entrar em Correio Nagô

Comentário de Tedson Souza em 28 dezembro 2011 às 0:45

Querido, em nenhum momento eu coloquei sua fala como simplória ou fiz generalizações incoerentes. Também não disse ter raiva de nenhum grupo étnico, por favor não afirme que disse coisas que não falei. EU NÃO FALEI EM RAIVA.  Agora às premissas que você coloca para inocentar seu ídolo, como dizer que:  " Saulo é de outra geração e está em outro século, lembre-se que você se refere a um século que já passou e muita coisa mudou de lá prá cá"  e "esse rapaz, diga-se de passagem, uma excelente pessoa e fascinante caráter, foi demonstrando tudo isso através do tempo", não me convencem. Essa coisa de afirmar que as práticas preconceituosas dos blocos da carnaval nos anos 80 e 90 eram de cunho "social" é um tiro no próprio pé.  Aconselho a você a leitura de "Aqui Ninguém é Branco" de Liv Sovick para tentar entender essas "novas formas de negritude" utilizadas por Daniela Mercury, Fernanda Abreu, Caetano Veloso e mais recentemente por Saulo Fernandes e por Cláudia Leitte. Sua fala serviu para que eu refletisse ainda mais sobre o poder de uma epiderme branca. Pensasse que esse poder é amplificado quando um branco incorpora elementos de mestiçagem no seu trabalho ou se auto afirma negro. A Axé Music e em especial o case da Banda Eva são um bom exemplo disso.  A música é negra, mas os negros continuam na cozinha ou segurando a corda. O protagonismo é branco. O líder é um branco que se travesti de negro quando lhe é conveniente. Feliz 2012 para você também.

Comentário de Marcos Viana em 27 dezembro 2011 às 19:52

Infelizmente vocë insiste em desconstruir minha fala, colocando-a como simplõria, talvez na tentativa de insistir na forma de dominacao que os branquinhos que vocë tanto tem raiva e combate, faziam e ainda o fazem nos dias atuais, lembrando que todos os que se autodenominam ou se auto enquadram como tal, nao podem ser sacrificados com generalizacoes incoerentes. Como disse, queria apenas provocar reflexoes mas jamais entrar em embates, onde pontos de vista prevalecem o cada qual em seu cada qual, como dizem popularmente por ai. Agradeco pela atencao dispensada e aconselho pararmos por aqui, ja que ficou evidente nossas posturas extremamente opostas de pensar certos alhures sociais. Feliz 2012

Comentário de Tedson Souza em 27 dezembro 2011 às 11:35

"apaixonado"

Comentário de Tedson Souza em 27 dezembro 2011 às 11:33

Marcus Viana, não tem como não citar Saulo, sinceramente, não será possível atender suas reivindicações de fã e admirador, já que vc afasta a hipótese de ser amigo pessoal do loirinho agora "neguinho". Ele corporifica e personifica esse projeto de dominação do Bloco Eva. É a cara dele que está na tela. Imposível aí separar empresa de pessoas. Até pq a pessoa eu não conheço. A imagem que analiso é de um artista que como, Cláudia Leitte, se transforma em Negro. E reafirmo eu não tenho paciência para ouvir comentários de fãs, que tenham embasamento na simpatia da personagem Saulo, pois como já disse não é isso que está em jogo. Sinceramente, não acho que fui desrespeitoso ao falar da sua santidade "Saulo". Tomemos como base, quantas vezes nós negros somos chamados de neguinhos por brancos. Em nenhum momento deixei de ser democrático e ouvir seu comentário, mas eu não posso engolir "guela" a baixo  que o "apartheid não era apenas racial, mas social ", " Saulo é de outra geração e está em outro século, lembre-se que você se refere a um século que já passou e muita coisa mudou de lá prá cá" e "esse rapaz, diga-se de passagem, uma excelente pessoa e fascinante caráter, foi demonstrando tudo isso através do tempo". Pra concluir apenas digo que não conduzo às minhas análises guiado pela paixão. E a sua fala me passa a visão de um fã cegamente apaixonada. Aí não dá!!

Comentário de Marcos Viana em 27 dezembro 2011 às 9:07

Mai uma coisa Tedson, você não tem paciência para ser democrático e ouvir os comentários sobre o que você escreve, deveria não fazer parte de um espaço deste. Aqui, no Correio Nagô, este é um espaço extremamente democrático de reflexão sobre as questões que envolvem um determinado grupo racial, do qual me sinto inserido, e não espaço para pessoas que se colocam como determinados integrantes de uma elite a quem se critica, mas vem aqui reproduzir as mesmas ações, querendo imprimir seu discurso como o verdadeiro, tal fora a radicalidade na abordagem e na réplica e tréplica. Abraço

Comentário de Marcos Viana em 27 dezembro 2011 às 9:02

Tedson, acho que houve um equívoco em sua interpretação a minha fala. Em primeiro lugar, esta é uma postura radical querer desconstruir ou desvirtuar um discurso, coisa que em momento algum fiz contigo. Você não pode afirmar que meu discurso é simplório e o seu pensamento é soberano, agindo assim está se colocando no patamar de quem você critica. Eu sou extremamente simpatizante de todas as questões que envolvem o povo negro que tanto admiro e respeito. O que vim dizer aqui é que não podemos misturar empresas e pessoas. Saulo é um funcionário do bloco e não é o culpado pela sua história ou origens, como queira. O que te disse foi isso, eu queria contribuir com sua colocação dizendo ser esta pessoa um ser humano de caráter e nem um pouco estrela, do contrário, pessoa muito humilde no trato com aqueles que o rodeiam. Jamais citei ou insinuei que você quizesse ou tivesse a pretensão de ter o Saulo como seu amigo pessoal, coisa que eu também não sou, apenas o conheço por compartilhar momentos e locais onde o mesmo possa estar presente ou mesmo contatos através de amigos(as). Você está falando de um loiro que é apenas mais um ser humano, assim como você que que se apropria de suas origens, neste imenso planeta das diferenças. Quando você faz a análise de um  'projeto artístico e comercial de um poderoso Grupo de entretenimento da Cidade de Salvador', não deveria citar o Saulo, foi apenas essa a minha visão, não discordo em nenhum momento de você no que diz em sem comentário sobre o bloco, apenas acredito que devessemos tomar cuidado ao citar nome de pessoas. Achei também preconceituosa essa forma sua de chamá-lo de loirinho, coisa que nem no meio musical se ve esse tipo de tratamento. A minha posição, para que fique bem clara a quem ler os comentários, é de ser uma pessoa cuidadosa com os comentários que acredito serem permeados de radicalidade e absolutismo, cada um tem uma ótica de enxergar questões como esta, só não devemos sair por aí fazendo uma análise soberana e radical, citando nomes de pessoas que não se enquadram nas questões abarcadas. Essa é a minha forma de pensar companheiro, sou contributivo e gosto da reflexão, apenas sou contra radicalismo, seja em que área ele venha a aparecer. Grande abraço.

Comentário de Tedson Souza em 26 dezembro 2011 às 8:51

Marcus Viana, eu não tenho paciência para comentários de fãs ou de amigos pessoais de artistas.A conduta pessoal de Saulo Fernandes não me interessa. Eu não pretendo ter Saulo dentre o meu "rol" de amigos. A minha análise aqui é sobre o projeto artístico e comercial de um poderoso Grupo de entretenimento da Cidade de Salvador. Donos de um bloco que durante no mínimo duas décadas se vendeu como "O metro quadrado mais bonito da Bahia" por ser loiro.  Essa desculpa de que a discriminação era "social" não cola. Não sei se vc recorda como eram feitas as análises de proposta desses blocos, pois além de precisar de um endereço nobre, era necessário anexar uma foto. Você lembra o episódio que levou com que o legislativo municipal votasse uma lei proibindo essa análise de proposta? O bloco Eva, passa por um processo de decadência a partir do Carnaval de 2000, deixa de ser o bloco da tal "Gente Bonita" e começa a traçar uma estratégia para conquistar novos públicos, pois os mauricinhos e patricinhas, branquinhos e loirinhos já não desejam mais pagar para ocupar aquele espaço. Qual seria agora o  público consumidor alvo do Bloco Eva? É lógico que essa Classe Média negra e emergente de Salvador, que agora tem o poder de consumir. O cantor loiro, sobrinho de deputada do prospero Oeste baiano, precisa tornar-se "negro" para conquistar essa negrada "cult", "consciente" e que quer ser "diferenciada" do negão pagodeiro.  Então, essa história de que Saulo Fernandes é de um outro século é uma piada pronta. A discriminação e o preconceito racial terminaram no século XXI? 

Comentário de Tedson Souza em 26 dezembro 2011 às 8:21

Onde se lê "pensa" leia "pensar"

Comentário de Tedson Souza em 26 dezembro 2011 às 8:19

Marcos Viana, gostaria de saber de você quem são os pobres, que vivem em situação de emergência nessa cidade? Nós sabemos que a pobreza tem cor!!! O colorido de de Gente Bonita cantado na música "Eu vou no  Eva" não é negro. Eu não conheço Saulo pessoalmente, não me interessa. A minha fala aqui não é a  fala de um fã!! Acho que esse tipo de análise aqui não é a que importa!! Todos sabemos que o referido artista foi gestado nesses contextos excludentes. Nasce como cantor da Chica Fé - banda criada para animar as festas dos branquinhos, riquinhos. Ele não é de outro século, nem de um outro tempo. Pensa Saulo Fernandes como peça solta nesse projeto de dominação do Bloco Eva é pueril. Seguir seu raciocínio é perdoar os escravagistas, perdoar tudo que nós negros sofremos pela ação do tempo. Enxergo nosso seu comentário uma grande necessidade de ampliar a reflexão. Sinceramente, eu não vejo nenhuma diferença entre o projeto do Bloco Eva e a tal "Negalora".Nós negros continuamos sendo coadjuvantes e tocando tambor para o branco, rico e parente de deputados brilhar.

Comentário de Marcos Viana em 26 dezembro 2011 às 5:57

Tedson, me permita um acréscimo à sua fala, entando contribuir no sentido de ampliar a reflexão. Gostaria de iniciar discordando um pouco de você no que tange ao apartheid racial promovido pelo Bloco Eva, segundo sua colocação. O referido apartheid não era apenas racial, mas social também. Não eram apenas os negros que não participavam do desfile desse e de alguns outros blocos elitistas da época, brancos, amarelos, vermelhos, ou seja, todos aqueles que não tinham um endereço nobre para colocarem em seus cadastros.

Conheço pessoas que colocavam endereço de parentes que moravam em bairros nobres para conseguirem o direito de sair em um bloco desses, agora, vamos ser menos enfáticos quando falamos de um trabalho promovido através de publicidade utilizando o líder da Banda Eva. Para te dizer melhor, as primeiras aparições desse moço no dito bloco me causaram estranheza pois não conseguia ligar sua figura, seu biotipo a tradiçao vocal daquele bloco. Com o passar do tempo, esse rapaz, diga-se de passagem, uma excelente pessoa e fascinante caráter, foi demonstrando tudo isso através do tempo, tornando-se hoje um líder musical nato, envolvido inclusive em projetos musicais outros fora do bloco e com apelo de raiz e popular.

Concordo com você Tedson e contribuo no sentido de ampliar esse debate, mas quanto a relacionar o Saulo Fernandes, te dou um conselho: procure conhecer a pessoa e o caráter e ficará tão fascinado pelo ser humano quanto eu sou hoje. Não podemos confundir a coisa, Saulo é de outra geração e está em outro século, lembre-se que você se refere a um século que já passou e muita coisa mudou de lá prá cá, inclusive a oportunidade que temos dessa gostosa interação na web. Bom final de ano e um excelente 2012. Paz e bem!!!

Translation:

Publicidade

Baixe o App do Correio Nagô na Apple Store.

Correio Nagô - iN4P Inc.

Rádio ONU

Sobre

© 2021   Criado por ERIC ROBERT.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço